sábado, 21 de fevereiro de 2015

Os Óscares.

Foi nesta quinta feira que o meu (quase!!) bingo da corrida para o Óscar de melhor filme ficou encerrado! Já por aqui vos tinha falado de como esta é provavelmente para mim a noite mais longa do ano, aquela em que quase nem preciso lutar contra o sono, tal é a vontade de ver os Óscares até ao fim. E essa noite está mesmo quase a chegar! Por isso, nos últimos tempos as idas ao cinema têm sido mais do que regulares, são um dever que muito prazer me dá. E este ano fiz questão de ver (quase!) todos os filmes nomeados para melhor filme. O que não é fácil visto que tirando a raríssima excepção do Grand Hotel Budapest todos estes filmes invadem as salas de cinema ao mesmo tempo! Assim, ficou apenas um filme por ver: Selma. Não é de todo o meu género de filme, aliás confesso que é daqueles que me irrita até um bocadinho, um vira o disco e toca o mesmo, por isso, a ter que excluir um, foi este mesmo. Houvesse oportunidade de ver mais algum e passaria este à frente para ver os nomeados para melhor actriz. Ainda terei que ver O meu nome é Alice e Dois dias, uma noite, com aquela por quem vou torcer nesta noite, a Marion Cotillard, uma das minhas actrizes preferidas e, por isso, em quem confio em pleno. :)

Seguem-se então os filmes nomeados para Óscar de melhor filme, por ordem de preferência, claro está!


BOYHOOD
Fantástico o amor que alguém pode ter pelo cinema ao ponto de arriscar fazer um filme ao longo de 13 anos! Tinha tudo para correr mal e uma percentagem minúscula a seu favor. Ganhou a minoria, o filme é absolutamente fantástico! Merece ganhar. Pelo risco, pela capacidade de trazer até nós algo nunca antes feito.
É incrível acompanhar a evolução daquele miúdo e de todos os actores. É ainda mais fascinante perceber o quanto que o cinema evoluiu. É inevitável sentirmos no início do filme que recuámos no tempo, que o filme não começa nos nossos dias. E a evolução é tão gradual que nem nos apercebemos de como as coisas mudaram.
E há nele pormenores tão interessantes como os miúdos verem a secção de lingerie em vendas por catálogo! Nestes pequenos detalhes que vão aparecendo ao longo do filme, como as músicas no carro ou o dragon ball a passar na televisão, vamos fazendo cada vez mais parte integrante dele mesmo. Em determinado ponto é difícil não acreditarmos que aquela família existiu realmente, que aqueles episódios aconteceram. É sobretudo um filme verdadeiro pela evolução de cada personagem que nos faz relacionar com eles de uma forma real.




WHIPLASH
Alucinante. Acho que só nesta palavra consigo resumir tudo o que senti ao longo daquelas horas de filme! É difícil conseguirmos respirar... O filme tem um ritmo tal que nos esquecemos de controlar a respiração... Quando damos por nós estamos agarradas à cadeira, ao casaco, à carteira ou simplesmente a fazer uma força estúpida com as mãos que dificilmente conseguimos perceber!
Se existe alguém neste mundo que não goste de jazz, então o melhor mesmo é nem sair de casa porque Whiplash transpira jazz do início ao fim... A banda sonora, muito repetitiva, é incrível e é ela mesma a marcar o ritmo do filme.
Quanto à história ou à moral que ele nos possa trazer, está essencialmente centrada na paixão, pela música ou por qualquer outro desafio que tenhamos. O não olhar a meios para provar que somos os melhores, as derrotas constantes que vão sucessivamente aparecendo, os erros que fazem de nós melhores. E por fim o reconhecimento, uma troca de olhares que nos dá razão.
Torcemos o filme todo para que ele consiga, sofremos com ele.




GRAND BUDAPEST HOTEL
Um filme excelente que sai claramente penalizado na minha avaliação por já o ter visto há meio século atrás! É mais uma comédia fantástica de Wes Anderson com actores fabulosos, com espaços delicadamente decorados, com cores fascinantes e com trejeitos caricaturais em cada personagem que as torna memoráveis. A história é bem divertida, a única comédia nomeada para melhor filme, e ainda bem, que isto de bons filmes não pode ser só dramas e biografias! Apesar de Birdman ter uma fotografia excelente, para mim o Óscar é mesmo para esta comédia.



JOGO DE IMITAÇÃO
Foi o primeiro dos nomeados que vi e gostei mesmo. (Não estou a contar com o Grand Budapest Hotel que já vi há bastante tempo) Não é para mim o melhor filme mas, de todos os filmes biográficos, foi a história que me impressionou mais. Primeiro, por ver a importância que aquele homem teve para aquilo que somos hoje. Nem eu estaria aqui a partilhar estas minhas experiências se ele não fosse um génio. Depois, pela mensagem fortíssima que o desfecho do filme nos trás em relação à descriminação e à falta de respeito pelos gostos e escolhas de cada um. E isso a mim choca-me, muito. E fica uma angústia enorme, saber que a vida de Alan Turing terminou da forma triste e sem dignidade quando quem a devia ter perdido era a sociedade descriminatória que condenou à morte um génio.


SNIPER AMERICANO
Não é, de todo, o meu género de filme mas gostei, gostei muito! Por retratar uma história de um passado tão próximo e que todos vivemos com intensidade aqui, bem longe de tudo, é um filme que acaba por chegar a nós por este factor de proximidade. A interpretação de Bradley Cooper está fantástica... Bem, até ao momento em que lhe põe um nenuco nas mãos. Não será culpa dele, é certo, mas como é possível aquelas imagens terem ficado assim? Ninguém viu e reviu tooodas as imagens com capacidade critica suficiente que os fizesse gravar aquelas cenas de novo? Toda a gente reparou no cinema, TODA! E, de repente, um filme que até ali estava bem intenso e sério, apresenta-nos um nenuco! Um nenuco que rouba toda a atenção para os minutos seguintes... Enfim, vamos acreditar que Clint Eastwood queria isso mesmo, dar-nos um momento de alívio num filme tão pesado e absorvente.



BIRDMAN
É difícil para mim escrever sobre um filme que gostei tanto a nível técnico mas que do ponto de vista narrativo não me transcendeu. Quanto a mim é uma história confusa, e eu até costumo gostar disso. Talvez não tivesse visto o filme num dia bom, porque olhando hoje para a história sinto que tenho que o ver outra vez! O trabalho de realização é tão fantástico ao ponto de eu achar que foi ele o responsável pela minha distração no resto do filme. Fiquei colada na câmara que não fazia um único corte em momento algum. Em como nos corredores da broadway se trocava de rumo e de actores sem que a câmara cortasse um segundo. Cortou, é claro, só não sei onde nem como e isso intrigou-me imenso durante o filme todo! Vai ter que ser um filme a rever, desta vez com mais atenção para a história e menos para a parte técnica.



TEORIA DE TUDO
Apesar de ser um filme com uma história fascinante, infelizmente não chegou a mim como esperava. A mensagem de luta e esperança é constante, mas retratada, na minha opinião, de uma forma muito leve, e envolvida em histórias de amor que, tratando-se de um romance, poderiam ser mais exploradas. Não era isso que esperava, é certo. Erradamente julguei que o filme iria retratar ainda menos a história de amor, que se iria centrar muito mais naquilo que Stephen é, naquilo que alcançou e nas batalhas superadas, mas também não. Para mim ficou-se por um meio termo esquisito. Talvez esteja a ser injusta, eu gostei do filme, mas as expectativas estavam bem altas, esperava mais.
Apesar de tudo isto, é um filme belíssimo, que tem, sem sombra de dúvida, o melhor actor destes Óscares! Espero não me desiludir também neste ponto mas o papel de Eddie Redmayne é O papel, desempenhado, quanto a mim, na perfeição.
Ao longo do filme vão sempre existindo episódios pontuais de angústia mas, e apesar de por norma ser contra esse tipo de edição, o final com o retrocesso no tempo é essencial para revivermos toda aquela história. Em alguns segundos percebermos realmente como tudo pode mudar tão de pressa. Damos valor.


Para os que ainda não viram algum destes filmes é um bom programa para o fim de semana!

m.*

4 comentários:

  1. Não vi a maior parte dos filmes nomeados, mas acho, tal como tu, que o Oscar de melhor filme vai para Boyhood e que o Oscar de melhor actor tem de ir para o Eddie Redmayne porque o papel dele está perfeito! A ver vamos o que a noite de amanhã nos reserva ;) *

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    1. Catarina, com muita pena minha, ao que parece, estávamos bem enganadas quanto ao Óscar de melhor filme... que desilusão! :(

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  2. Agora, na manhã pós-óscares, é sempre complicado dar a minha opinião. Mas confesso que fiquei meio tristonha por ter sido o Bridman a ganhar o oscar de Best Picture. Não entendo o hype... Tudo o resto, foi quase au point ,por aqui! :)

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    1. Neste dia pós-óscares a desilusão é bem grande Mafalda! Fiquei meia parva quando anunciaram o melhor filme! Tantas horas acordada para isto?! :( Muito triste mesmo!

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