quarta-feira, 14 de junho de 2017

#weddingmode: vamos lá decorar isto!



Quando sonham com o vosso casamento em que é que pensam? Imaginam-se em que espaço, rodeadas de que cores? Se o espaço já está decidido, então já devem ter uma ideia do que querem. Na verdade, no meu caso, soube primeiro a estética do tipo de casamento que queria antes de decidir onde o iria realizar. Como já vos falei, há mil e uma tendências que vocês podem seguir e que qualquer revista vos pode aconselhar. No entanto, já pensaram no que vocês gostariam mesmo? Antes mesmo de pedirem ajuda a qualquer decoradora ou wedding planner, convém que façam vocês o exercício de perceber o que gostariam realmente. Se puderem criar um ambiente que vá de encontro à vossa relação, tanto melhor!

No nosso caso o pedido de casamento tinha sido feito nos Açores na maravilhosa viagem que partilhámos com vocês aqui, cercados pela natureza mais incrível. E apesar de adorarmos fazer férias por cidades europeias, há um lado de nós que nos puxa muito para férias de natureza, para ficarmos rodeados de nada, para fazer as malas e acampar algures por aí. Não é sempre, mas quando o fazemos adoramos.
Partimos dessa última viagem para inspiração do que nos queríamos rodear no dia do nosso casamento. Sabíamos que a natureza tinha que fazer parte deste dia. Pensamentos utópicos como casar numa floresta ou num parque natural vinham à nossa cabeça algumas vezes, queríamos um sítio improvável. Casar numa estufa era o top dos tops, não aconteceu. Encontramos na Quinta Cheiro d'Alecrim um bocadinho de tudo o que queríamos e, acima de tudo, natureza, muita natureza!

A decoração sabíamos que a queríamos com muitos verdes mas que teria também arranjos florais bem cheios, com tons como os burgundi, os violeta e os pêssego. Sabíamos que as mesas tinham que ser corridas (neste caso fizemos um U), que a sala tinha que ter um toque rústico mas elegante, com madeiras escuras e gastas em contraste com tons mais leves e coloridos. Ponderamos não usar toalhas mas como o espaço que alugamos era ligeiramente grande para o número de convidados, decidimos que as toalhas ajudavam a preencher o espaço e torná-lo mais confortável.

E antes de avançarmos e perceberem as nossas escolhas, este foi um casamento feito por nós, da escolha dos espaços, à organização espacial, e todos os elementos de decoração. Sabíamos claramente o que queríamos e onde queríamos, e sabíamos que íamos meter mãos à obra com muito trabalho mas um prazer diferente do que pedir a alguém que o fizesse por nós. Na verdade custa-me delegar coisas. Tenho sempre uma ideia muito concreta na minha cabeça do que quero, e gosto de ser eu a fazer. Com ajuda sim, de todos. Dos nossos pais que foram incansáveis e que puseram literalmente mãos à obra em tudo o que foi necessário, da nossa L. que se prontificou desde o primeiro momento a ir as vezes que fossem necessárias à quinta para perceber o espaço ou decorar coisas, da nossa R. que tão bem me ajudou na orientação espacial com projectos em autocad e tudo, de todos os amigos que no dia seguinte, depois de uma noite de sono bem curta, nos acompanharam até à quinta para desmontar tudo, meter na mala dos carros deles e seguir rumo ao Porto. Organizar um casamento dá trabalho e nós decidimos organizá-lo da forma mais trabalhosa possível. Mas foi bom, foi nosso e de todos os que fizeram parte dele.

A cerimónia:

Este foi logo um dos problemas iniciais e que demorou muito até ficar resolvido. Quem casa pela igreja não tem esse problema mas escolher um espaço vazio para organizar uma cerimónia para 80 pessoas exige uma logística diferente. Onde vamos sentar as pessoas? Nós sabíamos claramente que queríamos bancos corridos mas arranjá-los não era assim tão claro. Falei com imensas empresas de aluguer de materiais e nenhuma alugava este tipo de bancos. Até que me cruzei com a Crachá Wedding Agency, uma empresa de organização e coordenação de eventos, na altura, acabadinha de aparecer no mercado. Foi com a Tita que consegui finalmente resolver o meu maior problema, que até ali parecia não ter solução. O resultado ficou à vista, exactamente como eu desejava.

As flores era também um tema um bocadinho sensível para mim. Com mil e uma esquisitices da minha parte e um resultado final já muito bem definido na minha cabeça, foi a Crachá que tornou os nossos desejos realidade, com arranjos florais de babar, com cores belíssimas, bem cheios e farfalhudos, que deram um tom muito mágico que se prolongou do meu ramo e cabelo, à cerimónia e à sala interior.

Depois de definido o espaço onde iria decorrer a cerimónia, o objectivo era torná-lo o mais acolhedor e confortável possível. Sempre nos focámos no espaço onde as pessoas iriam estar mas, e por trás da conservadora? Não era para aí que todos iam olhar? Pois bem, todos olhariam para aquele sítio, esse devia ser o foco central de toda a decoração. Apesar do espaço ter uma imensa zona verde por trás da mesa da conservadora, sabíamos que precisávamos de algo mais e os macramés pareceram-nos o detalhe que lhe faltava para ser o lugar perfeito para celebrarmos o nosso amor. Intercalados entre folhas verdes e bolas de vidro iluminadas por velas, tínhamos ali o nosso cenário ideal. A Crachá encontrou as soluções ideais para o que eu tinha imaginado para este espaço.




A sala:

Quando vos disse há pouco que tudo tinha sido tratado por nós não estava a brincar. 
Como vos falei já aqui, a organização do espaço é essencial para que ele se torne confortável e acolhedor para todos os convidados. O dia do casamento é daqueles em que passamos muitas horas no mesmo espaço e, por isso, este deve ser tratado com muita atenção.

Como vos falei no primeiro post, escolher um espaço pequeno para o número de convidados é impossível, escolher um demasiado grande exige mais da decoração. Connosco foi isso mesmo que aconteceu. Casámos num espaço onde já tinham existido casamentos para mais de 200 pessoas, o nosso tinha 80. Como é que se dá a volta a uma situação destas? O espaço tem que ser muito bem pensado. Com a ajuda da R. nossa arquitecta de serviço, definimos uma primeira área de entrada como lounge, e uma área de refeição seguida da mesa do buffet de sobremesas. O facto de termos escolhido mesas corridas ajudou imenso no aproveitamento do espaço porque a mesa acaba por se impor e dispersar mais as pessoas pela sala do que, por exemplo, as mesas redondas ou quadradas. Tivemos medo até ao último dia que a disposição das mesas ficasse estranha ali, demasiado pequena, mas nada falhou, estava perfeito.

Para fazer uma divisão do espaço, resolvemos aproveitar um enorme baú que pertence à quinta e fazer uma divisória com terliças que nós próprios comprámos no Leroy Merlin. Sabíamos que era mais dinheiro que íamos gastar mas, no fundo, depois iríamos usá-las no nosso jardim, nem tudo estava perdido. Colocá-las no tecto foi uma aventura que coube aos nossos pais que acabaram por tirar a semana do casamento de férias para nos ajudarem no que fosse necessário. E se foi!

Para completar o espaço, alugamos as plantas e vasos num horto bem ao lado da quinta que, apesar de nunca ter trabalhado desta forma, rapidamente se mostrou receptivo a fazer o seu primeiro casamento. Cá no Porto esta é já uma prática comum em alguns hortos que cobram uma percentagem da planta mais a deslocação até ao local, no entanto, como o nosso casamento era em Águeda, a deslocação iria ficar caríssima e não fazia sentido. Acompanhada dos meus avós, pus as mãos no volante e percebemos que naquela zona existiam vários hortos com quem podíamos sugerir trabalhar e assim foi. 

Como já referi, queríamos que esta fosse uma decoração feita a pensar em nós e, por isso, quase todos os elementos que vão ver espalhados por aí pertencem mesmo à nossa casa, às dos nossos pais ou dos nossos avós. O meu avô tem aquele trompete que eu sempre amei e que sabia que tinha que fazer parte deste dia, e as malas de viagem antigas tinham também que pertencer a esta grande viagem que é a nossa relação, desde 1998. (tanto tempo!!)

Outro problema que tinha que ser resolvido era como indicar às pessoas o seu lugar. Quando são mesas redondas o trabalho está mais facilitado mas com uma grande mesa com 80 lugares a situação complica-se. Para isso, achei que a melhor forma era indicar com setas para onde as pessoas tinham que se dirigir. Para a esquerda ia a família da noiva, para a direita a família do noivo e os amigos distribuíam-se entre os dois lados. Nos lugares de cada um existia uma etiqueta com o nome. Com umas traves de madeira de pinho e com a preciosa ajuda do meu pai, lá cortámos as tábuas e pintei a descrição em cada uma delas. Gostam do resultado final?




O jantar:

A mesa de jantar é o local onde, provavelmente, passamos mais tempo num casamento. Assim, queria que fosse uma mesa bonita, com alguns salpicos de cor dados pelos maravilhosos arranjos da Crachá, e elementos naturais. As mesas, as cadeiras, as toalhas, os pratos marcadores e os guardanapos, tudo isso foi alugado por nós, escolhido ao detalhe. Em cada lugar existia um pequeno menu, do qual vos falarei mais à frente, também desenhado por mim. E também para as flores envolvemos família e amigos. É muito fácil na organização de um casamento, o orçamento resvalar. Para que isso tivesse o mínimo impacto possível decidimos que parte das flores iriam ser colocadas em frascos de vidro que todos recolhemos nas nossas casas, das compotas, dos molhos, etc. E para que não fosse tudo de vidro, também as latas de feijão e afins foram guardadas e posteriormente pintadas de dourado.

E passando da mesa de jantar para a pista de dança, era preciso alugar um bar para as bebidas. O problema é que qualquer bar alugado numa qualquer empresa da especialidade, esteticamente não tinha nada a ver com a nossa decoração. A loucura das loucuras? Construímos o nosso próprio bar!!
Um dia estava na garagem dos meus pais e vi uma estante metálica muito velha, com ferrugem, e disse de imediato à minha mãe, que aquilo me ia dar muito jeito. Ela ficou incrédula mas lá me deixou seguir com a minha loucura! Como o bar tinha que servir para eles colocarem coisas por trás, tapamos a frente das prateleiras com garrafas de vinho em vidro verdes, já antigas, que havia lá para casa e para o tampo não estar assim enferrujado compramos umas tábuas de madeira que pintamos e colamos ao tampo da estante. O resultado final ficou castiço e, depois da grande aventura de pendurar as treliças no tecto, este foi o nosso grande projecto.







fotografia: Momento Cativo

m.*

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