quinta-feira, 30 de julho de 2015

Aldeias de Xisto


Porque o verão também se pode fazer pelo interior, entre montes e serras, frescas e densas, selvagens, no fim de semana passado de que já vos falámos aqui, fomos visitar a Serra da Lousã e uma Aldeia de Xisto: o Talasnal.

O calor era imenso, apenas refrescado pelos vidros abertos e pelo cheiro a floresta que invadia o nosso carro em cada curva e contra-curva daquela serra. Paisagens belíssimas, árvores a toda a volta, caminhos estreitos e ninguém na estrada. Por entre as montanhas está o Talasnal, que podia muito bem ser uma aldeia perdida na sinuosidade daqueles caminhos mas que, pelo contrário, estava de boa saúde e recomendava-se. Revitalizada, com a mesma traça tão característica das aldeias de xisto, e com visitantes que, como nós, ansiavam por lhe conhecer cada recanto.

Na aldeia as árvores são escassas e dão lugar às videiras, o calor intensifica-se e, à nossa frente, havia uma enorme descida que no regresso se iria transformar numa infindável subida. Mas aquilo que nos levava lá iria mesmo precisar de algo que nos exigisse algum esforço.

Fomos aconselhadas pelo Palácio da Lousã a almoçar no Ti Lena e assim que lá chegamos percebemos porquê. A localização é fantástica, um verdadeiro paraíso rural cercado pela serra, onde a amabilidade de quem nos recebe é indescritível e o sorriso com que nos presenteiam é o mesmo que fazemos logo após a primeira garfada.



A entrada faz-se pela cozida, como que a dizer "a porta de nossa casa está aberta". E é em casa que nos sentimos no Ti Lena, como se fizéssemos parte da família. O nome do restaurante é uma homenagem aos dois últimos habitantes primitivos desta aldeia, a Ti Lena e o Ti Manel, perpetuados agora nos sabores daquela terra.

A ementa foi escolhida por telefone aquando da reserva para o almoço. Engana-se quem pensa que caminhos sinuosos afastam turistas, o Ti Lena está sempre cheio, ou não fossem estes típicos pratos da Beira, confeccionados com os melhores ingredientes da região, uma verdadeira tentação para acomodar o estômago depois de longas caminhadas pela serra.

E estamos a falar de muitas calorias, daquelas que antes de entrarem na boca já estão a pesar na cabeça. Cabrito assado, chanfana e bacalhau assado com batatas a murro. Podíamos ter ficado por aqui que já ficávamos muito bem, mas não. Decidimos ir mais além, por um caminho ainda mais perigoso: as sobremesas! De tarte de lima a aletria, as opções eram muitas mas escolhemos aquela que nos pareceu a sobremesa mais deliciosa. Mousse de morango com suspiros. Não há palavras para descrever tamanha delícia.









Depois de tamanho banquete, o passeio fez-se pelas ruelas do Talasnal, a explorar cada recanto por entre as paredes de xisto, repletas de histórias e tradições. Movia-nos a curiosidade de conhecer aquela aldeia e a necessidade de apagar as calorias às quais de forma tão simpática tínhamos dado permissão para entrar.

Mas há comidas que nos preenchem a alma, que nos levam até lugares que há muito não visitávamos, que nos fazem lembrar a mesa dos nossos avós e as histórias que nela se contavam. Isso não há caminho que apague. Foi bom, muito bom, conhecer a cozinha da Ti Lena.

L.<3
m.*

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