sexta-feira, 21 de julho de 2017

Ilhas Cies


O prometido é devido, e quando garanti que íamos voltar, não estava mesmo a brincar.
Quem nos segue pelo Instagram sabe da nossa recente viagem às ilhas Cies, mas sabe também que esta não foi a primeira vez que a fizemos. Em Agosto do ano passado fiz aquela que, tenho a certeza, foi a primeira de muitas visitas às Cies. Vim de lá completamente rendida ao sítio e principalmente à paz e ao descanso que me garantiu durante aqueles 5 dias. Tinha a certeza que não ia demorar muito a regressar e assim foi... nem um ano volvido, lá estávamos nós a preparar-nos para mais 4 dias no paraíso.

A visita pode ser feita entre Abril e Outubro segundo o calendário que pode consultar aqui. Podem ir por apenas um dia ou mais, até um limite máximo de 7 noites, e é muito importante saber preparar a viagem tendo em conta todas as especificidades e limitações de um espaço preservado como este. Ter amigos que já tinham feito a viagem foi uma questão que ajudou muito para que nada falhasse. 
O primeiro passo é fazer a reserva do parque de campismo. Na ilha não há outro tipo de alojamento, por isso, mesmo os que não são tão adeptos de camping, terão de se adaptar a essa condição. Mesmo assim o alojamento pode ser feito de duas formas: em tendas do próprio parque com uma cama (de 49€ a 52€/dia) ou duas camas (de 75€ a 79€/dia) ; ou com tenda própria (8€ por tenda + 8€ por pessoa/dia). O check In e check out estão programados para o 12h mas a experiência diz-nos que, como em tudo neste parque, são altamente flexíveis com os horários de cada visitante.

Só com a reserva do parque feita será possível fazer a reserva do barco. Para qualquer viagem que não seja de ida e volta no mesmo dia, é exigido o código de reserva do parque de campismo. Estes percursos podem ser feitos a partir de Vigo ou Baiona, com preços que variam entre os 16€ e os 18,5€. Fize-mo-lo sempre a partir de Baiona pela maior proximidade do Porto, o nosso ponto de partida. Outra coisa, que parece ridícula, mas que é preciso não esquecer é a diferença de fuso horário. Um detalhe que escapou, mesmo a alguém como nós que viaja tantas vezes, e que nos fez perder o barco no primeiro ano. De qualquer das formas, desde que haja lugar no horário seguinte, os bilhetes são trocados sem qualquer tipo de custo. As partidas são sempre pontuais, por isso é recomendado ir com tempo para procurar um lugar na movimentada Baiona e chegar ao cais com alguma antecedência.

A viagem dura cerca de 30min que passam a correr. Recomendo que o façam na parte exterior do barco. A vista é incrível, a imensidão de azul é relaxante e podem sempre ter a sorte de serem acompanhados por golfinhos durante parte do percurso, que se divertem na ondulação provocada pela passagem do barco. A chegada à ilha faz-se junto à praia de Rodas, com o seu areal de mais de 1km, uma praia lindíssima e uma das mais concorridas, pois é onde normalmente permanecem todos aqueles que vão à ilha por apenas um dia. Daí ao parque ainda nos espera uma caminhada de aproximadamente 15min. Na ilha não é permitida a entrada de animais domésticos (à excepção de cães guia), de bicicletas nem de qualquer tipo de veículo motorizado, por isso aqui começa a parte complicada de carregar tudo até ao parque. Existem uns carrinhos de mão para transporte das tendas, arcas e mochilas mas são escassos e só com muita sorte se consegue um.

Este é também um dos motivos pelos quais nunca levamos comida de casa para esta viagem. O parque de campismo tem um café/bar aberto todo dia, um restaurante e uma grande cantina abertos até às 23h. Dispõe ainda de um pequeno supermercado onde é possível adquirir alimentos básicos e bebidas, que funciona das 10h às 21h. Para além destes existem ainda mais três cafés, um no cais onde os barcos chegam, e os outros dois, já depois do parque em direcção à Praia dos Vinhos. 






Das nove praias paradisíacas que a ilha oferece , frequentei cinco delas, sendo que a minha preferida é sem dúvida alguma a de Nossa senhora, localizada na zona sul da ilha. Em todas elas a sensação comum de prefeita fusão com a natureza. A água limpa e cristalina (sempre fria) de tons verde-esmeralda, as dunas de areia tão fina e clara, a vegetação que nos cerca e fresca mistura do cheiro a maresia com a brisa do pinhal. Uma sensação de paz, calma e bem-estar digna de um Spa.




Há tanto para caminhar e explorar... mesmo para os mais preguiçosos como eu, não dá para recusar as caminhadas que a ilha nos propõe. Do Faro de Peito, ao Faro de Porta é imperativo percorrer-se os trilhos e apreciar a paisagem. Para os mais corajosos há ainda a subida ao Faro de Cies, algo que ainda estou a adiar para uma próxima visita.

É importante na hora de fazer as malas não esquecer uma ou mais lanternas. Não há iluminação nos percursos da ilha, e o parque não tem electricidade na zona das tendas. O carregamentos dos telemóveis faz-se gratuitamente na recepção do parque através de energia solar, mas nós sempre o fizemos de forma segura e tranquila, nas tomadas do bar, restaurante e até da casa de banho enquanto tomávamos o nosso banho. 

E por falar em banho é importante lembrar que a água quente na ilha é racionada e, por isso, por cada noite de estadia é nos dada uma ficha que corresponde a 3min de água quente no banho. Se esta não for suficiente são pagos 50cent por cada 3min extra. 






Não posso deixar de recomendar as caminhadas nocturnas. A ilha tem uma capacidade limitada, por isso, quando o ultimo barco do dia parte e restam só os hóspedes do parque de campismo, a ilha fica quase deserta e a pedir que se parta à descoberta. Apesar dos dias quentes, estamos a norte e, por isso, a temperatura desce muito à noite. Não esquecer um bom agasalho, pilhas nas lanternas e explorem sem medos. Há sempre a sensação de que estamos em segurança apesar de perdidos na escuridão.

E por fim a subida ao Alto do Princípe que aconselho que seja deixada para um final de dia, de forma a poderem desfrutar de um privilegiado pôr do sol. Sozinhos ou acompanhados é um sitio lindíssimo de comunhão com infinito do horizonte que ninguém deve perder.





L. <3

2 comentários:

  1. Estou maravilhada. Já tinha ouvido falar das ilhas mas não as conheço mas depois desta tua descrição estou apaixonada. Tenho de lá ir!

    ResponderEliminar

© dois igual a três - 2013. all rights reserved. Tecnologia do Blogger.